dívidas e autoestima

DívidasPeço desculpas antecipadas pela esdrúxula escolha da foto ao lado, mas ela ilustra a matéria que será comentada a seguir e, de certa forma, já antecipa a trapalhada que está por vir.

A pisada na bola vem da Superinteressante, mais precisamente do artigo Dívidas aumentam a autoestima. Um título destes num país que vive uma desenfreada farra de crédito é, no mínimo, irresponsável. Além, é claro, do fato de estar bastante equivocado.

A pesquisa na qual o texto se baseia compara os perfis de endividamento e dados psicológicos (baseados em autoavaliações) de jovens (americanos, creio). A pitoresca análise conclui que as dívidas servem para melhorar a autoestima dos jovens.

Antes que você saia por aí pegando empréstimos para se sentir melhor, adianto que as conclusões estão redondamente enganadas.

O texto aponta uma relação direta de causalidade entre contrair dívidas e aumentar a autoestima, ou seja: que o primeiro causa o segundo. Esta afirmação viola, entretanto, dois princípios fundamentais das relações de causa e efeito:

Primeiro: é preciso verificar se não há um terceiro fator que possa estar causando os outros dois. E neste caso há: a ilusão de que se pode resolver tudo.

Segundo, e mais importante ainda: para A causar B, A tem que acontecer antes de B e, aqui, definitivamente não é o caso. É a autoestima que faz as pessoas se endividarem, não o contrário.

Na próxima vez que você vir uma pesquisa esquisita, com uma conclusão meio absurda, não se esqueça de submetê-la a estes dois testes. Tenho certeza de que você vai jogar muita coisa no lixo.

4 pensamentos em “dívidas e autoestima”

  1. Mas as pesquisas que a Super apresenta são todas desse naipe.
    Cancelei minha assinatura lá por causa disso. Motivo muito parecido, aliás, com os que me levaram a cancelar Você S/A e Exame.

  2. A alguns anos atrás, a mesma editora lançou, a reboque da “Você S/A” – mais voltada para executivos, uma revista chamada “seu dinheiro”, voltada para a classe “C”. O primeiro número estava excelente, talvez pelo tempo de preparo. Assinei. No terceiro uma matéria ensinava como poupar R$1.000.000,00. Li as seguintes orientações, entre outras: Viaje menos para a Europa; diminua os jantares em restaurante. Cancelei a assinatura. As editoras vendem a capa. Não têm responsabilidade nenhuma com seu público, mas subestimam nossa inteligência. A “seu dinheiro” não existe mais. A editora está a beira da falência. Eles não perceberam ainda, mas não somos burros. Felicidades à equipe “autoatrapalha”.

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