10% do cérebro = 100% falácia

Um mito sem limites
Um mito sem limites

Se você assistiu Sem Limites também deve ter ficado impressionado com a estória do fracassado escritor Eddie Morra (Bradley Cooper) que, ao tomar uma pílula quase mágica, transforma-se num mago do mercado financeiro, don juan infalível e exímio lutador, dentre outras coisas.

O filme – bacaninha, por sinal – apoia-se numa das mais difundidas falácias sobre o cérebro humano: a de que usamos apenas 10% do seu potencial.

A ideia é atraente porque cria uma enorme esperança em torno dos outros 90% do cérebro que, reza a lenda, permaneceriam ociosos a maior parte do tempo. Se já fazemos tanta coisa com uma pequena fração do órgão, imagine do que seríamos capazes ao utilizarmos toda a sua capacidade!

O empolgante enredo não passa, no entanto, de um mito que, de tão repetido, quase se transforma em realidade. A verdade, contudo, está bem longe disto.

A lenda dos 10% provavelmente teve seu grande patrocinador em Dale Carnagie que, segundo contam Sandra Aamodt e Sam Wang em Bem-vindo ao seu cérebro (Cultrix, 2009), teria citado um inexistente estudo de William James para justificar a lorota.

Desde então, o mito tem sido explorado e difundido pelos gurus da autoajuda, para dizer que todos somos Einsteins adormecidos, com um enormes potenciais ocultos ainda a serem descobertos. Uma animadora fantasia pseudocientífica, para alimentar a conhecida historinha de que todos estamos a um passo da genialidade.

Ocorre que nosso cérebro, assim como boa parte do resto do corpo, é altamente eficiente, tendo seus processos espalhados por uma intrincada estrutura que, até hoje, continua desafiando os cientistas. Modernos estudos de ressonância magnética funcional têm demonstrado, recentemente, que várias de suas partes estão sempre em funcionamento simultâneo, mesmo nas tarefas mais corriqueiras.

Fosse verdade o factóide dos 10%, pequenas lesões no cérebro teriam pouca ou nenhuma consequência em pacientes neurológicos, dado que afetariam partes aparentemente inúteis de nossa anatomia – o que está muito londe de ser o caso. De outro modo, o cérebro teria diminuído de tamanho ao longo da evolução humana, em vez de aumentado, de forma a economizar espaço e energia. Bem, ao menos na maioria das pessoas…

3 pensamentos em “10% do cérebro = 100% falácia”

  1. Veja que um núcleo de um processador de computador, quando em trabalho, sempre vai a 100%. O segredo está em quanto tempo ele fica a 100%, ou seja, sendo utilizado (velocidade do clock). Há segredo do cérebro humano pouco estudados, como o funcionamento do cérebro dos autistas com as mais variadas habilidades, por exemplo.
    A série Super Humanos, da Discovery, mostra 2 casos, que eu me lembro, de “super cérebros”, sendo um autista e outro não.

  2. Sim, Regis, mas o chip sempre é desenhado de acordo com a função que vai realizar. E sua capacidade sempre é pensada de forma a ser eficiente, isto é, não desperdiçar energia para fazer o que é preciso. Não há razão para supor que o cérebro seja diferente.
    Claro que há muito o que se descobrir para entender o cérebro. Mas não há nenhuma evidência que ele trabalhe com ociosidade de 90%.
    Sobre os autistas, são menos conhecidos ainda. Estes autistas de auto desempenho – muitos destes gênios são, na verdade, síndrome de Asperger – são casos esporádicos e, ainda assim, representam exceções.
    Atenciosamente, Rodolfo.

  3. olha! oque eu acho que esta acontecendo é um mal entendido, seja la quem tenha dito essa frase, oque eu entendi nao é que so 10% do nosso cérebro fique ativo, senão realmente nao faria sentido termos um cerebro deste tamanho e que consumisse tanta energia do corpo, agora na minha humilde opinião, existe uma diferença entre ele estar 100% ativo e a capacidade mental que ele utiliza, acredito eu, que volume ativo nao significa necessariamente capacidade total, se formos ver por este lado existe uma diferença de interpretação do que William James ou outros disseram e oque esta sendo entendido, e eu sinceramente prefiro acreditar que seja isso, pois nao quer dizer que porque todas as partes do cerebro funcionam que ele esta usando sua capacidade máxima, é como um carro, quando voce dirige um carro a uma velocidade considerada normal, tipo 80 km/h, o motor e pelo menos a maioria das peças dele estão funcionando, mas ele nao esta correndo na sua capacidade total, sendo que normalmente os um carro em sua capacidade máxima pode atingir muito mais do que isso com essas mesmas peças em funcionamento, oque eu entendo por isso é que essa afirmação esta relacionada ao nosso potencial intelectual e outras habilidades mentais que se cogitam poder ser desenvolvidas, mas vejam bem,”capacidade” é diferente de volume, e outra ainda tem muita coisa do cerebro a se explorar, a questão do inconsciente ainda é desconhecida, nao sei muito se o subconsciente ja é bem conhecido, mas o cerebro ainda tem muitas questões e misterios a serem descobertos, e como foi citado ai por voces os autistas, os aspergers, que tem essas habilidades exepcionais, ate onde eu sei tem uma estrutura cerebral igual ao das pessoas normais, oque muda é o funcionamento do cerebro deles, e outra, esses exames ai que os cientistas usaram de imagem, pegam o funcionamento do cerebro de forma superficial, aparece la que as partes do cerebro estao ativas, mas elas medem o potencial mental do cerebro? acredito que não! quem fez esta afirmação de 10% do cerebro poderia estar querendo dizer a respeito do uso do cerebro consciente, do potencial, das habilidades mentais.

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