Pai rico, Pai pobre, Pai caloteiro

Caráter não é opcional
Caráter não é opcional

Sempre fiz questão de reconhecer aqui que alguns livros de autoajuda podem ter certa utilidade. Seja por um ou outro conselho valioso, ou mesmo por dar uma injeção de ânimo em alguma alma combalida.

Mas há outros que têm efeito contrário, isto é, empurram a pessoa ainda mais para baixo. Às vezes sem que ela se dê conta disso.

Recentemente tivemos um exemplo emblemático desta segunda categoria: o autor de um livro de autoajuda financeira faliu, mesmo depois de vender milhões de cópias, tanto de seu título original, quanto de suas derivações oportunistas.

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autoajuda corporativa

Recentemente a moda da autoajuda vem migrando da esfera pessoal – onde cada um é responsável por seus atos – para escritórios, salas de reunião e sessões de treinamento corporativo.

Empresas começam, agora, a embarcar na onda da autoajuda corporativa – não importam seus tamanhos, nacionalidades ou ramo de atividade.

A principal porta de entrada deste modismo tem sido, até então, os ditos treinamentos motivacionais. São palestras ministradas, geralmente, por alguma celebridade da moda, tratando de capitalizar uma fama tão súbita quanto efêmera.

Pouco entendem sobre vendas, balanços, marketing, planejamento estratégico ou cadeia de suprimentos. Normalmente sua especialidade é nadar, correr, plantar bananeira ou, ainda, treinar alguém para fazer isso.

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autoestima e realidade

Livros de autoajuda vendem aos milhões, ao passo que casos de sucesso* são bem menos frequentes. Este simples descasamento já representa, por si só, um indício de que há algo errado nesta história.

Por que você dá ouvidos a uma fórmula que, visivelmente, não funciona? Afinal de contas, se todos os seus amigos já leram esses livros – e ninguém mudou de vida por causa disso – por que você acha que logo com você será diferente?

Uma das explicações é que temos a tendência de nos avaliar sob uma lente mais positiva do que a realidade aconselharia. Nossa autoestima sugere que somos mais espertos, mais bonitos e mais habilidosos.

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criatividade e autoajuda

Muitos autores já mostraram que uma dose de fracasso é um componente necessário à construção do sucesso – desde que você consiga aprender com seus erros, é claro.

Em Adapt, Tim Harford lembra que o erro é parte integrante do processo de tentativa e erro. Já em Mindset, Carol Dweck sugere que a forma como você lida com seus fracassos é fundamental para o crescimento pessoal e profissional.

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por que isso não dá certo?

A fórmula consagrada da autoajuda diz, basicamente, que o destino de todo mundo é ser um estrondoso sucesso folheado a ouro. Nenhum livro de autoajuda diz para você se contentar com o que tem, nem que você já alcançou mais do que merecia. Isto é bem óbvio, até.

Segundo estes manuais, a única coisa que você precisa para se dar bem na vida e ter tudo o que sempre sonhou é querer se dar bem na vida. Afinal, este foi o motivo pelo qual você comprou o livro em primeiro lugar, não foi?

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sonhos que ajudam e atrapalham

Mesmo os que não gostam de autoajuda concordam que nesta corrente de pensamento há, ao menos, uma saudável dose de otimismo. Tendo a concordar com isto, desde que o otimismo não se transforme numa histeria coletiva, em que todo mundo acha que vai realizar seus mais selvagens sonhos.

Sonhos podem ser poderosas ferramentas motivacionais, ao colocar um objetivo à nossa frente para nos dar ânimo para seguir adiante.

Seja um carro novo, um emprego melhor ou uma casa maior, ter uma meta significa quantificar seus desejos e determinar um norte para seus esforços. Mas seus sonhos precisam, ainda assim, ter uma boa dose de realidade.

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o que é autoatrapalha?

O autoatrapalha foi uma ideia que surgiu no meu outro blog, o Não Posso Evitar…, numa das minhas inúmeras críticas à autoajuda.

A autoajuda é uma doutrina que prega que o nosso destino está em nossas mãos, que o sucesso é uma questão de vontade, que a felicidade reside em você mesmo.

Não discuto nada disso, porque realmente acredito que somos os atores principais de nossas histórias individuais. Enquanto enredo, a autoajuda está perfeita. O problema, meus caros, está nos atores. Em mim e em você.

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o golfinho benevolente

golfinho bonzinho?
golfinho bonzinho?

Volta e meia aparece na mídia a comovente história do náufrago, salvo da morte por um golfinho que o ajudou a nadar até uma praia próxima. A narração do episódio, sempre enfeitada por emocionados depoimentos dos sobreviventes, reforça a crença de que o golfinho é um animal amigo e bonzinho.

Mas será que é mesmo? Será que não existem golfinhos maus, que afogam os náufragos só por diversão?

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o que nunca disseram sobre autoajuda

Depois que você leu um punhado de livros de autoajuda e continua na mesma pindaíba, espero que já tenha entendido que o segredo para o sucesso não consiste em apenas querer ser um sucesso.

Embora os livros de autoajuda digam que você tem tudo para ser o próximo milionário, você continua almoçando no quilo mais barato. Por mais que você queira ser rico. Por mais que você queira muito ser rico. Por mais que você queira muitíssimo ser rico.

Querer, apenas, não adianta. Querer, somente, não vai te dar um Real. Querer, isoladamente, é como sonhar com a Mega Sena sem ao menos comprar um bilhete. É um sonho tolo, uma esperança inútil.

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