o queridinho dos atendentes

- Liga pra mim, seu lindo!
– Liga pra mim, seu lindo!

Chega a ser lugar-comum nas conversas as queixas contra as centrais de teleatendimento. Seja de operadoras de telefonia celular ou de tv a cabo, quase todo mundo tem uma reclamação sobre o nível do serviço que recebem. Talvez eu seja uma exceção a esta desagradável regra.

Como bem descreve Dan Ariely em Positivamente Irracional, a saga funciona como um ciclo vicioso: uma pessoa descontente com o atendimento trata o operador com grosseria; este, ficando irritado, passa o mau humor ao próximo cliente, que também se sentirá contrariado e será estúpido em seu próximo contato – e assim por diante.

Inexplicavelmente (ou não), o oposto acontece comigo: costumo ser muito bem atendido e ter (quase) sempre os meus problemas solucionados. Não por milagre, isto parece ter mudado depois que li o livro mencionado acima e entender a dinâmica descrita.

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Pai rico, Pai pobre, Pai caloteiro

Caráter não é opcional
Caráter não é opcional

Sempre fiz questão de reconhecer aqui que alguns livros de autoajuda podem ter certa utilidade. Seja por um ou outro conselho valioso, ou mesmo por dar uma injeção de ânimo em alguma alma combalida.

Mas há outros que têm efeito contrário, isto é, empurram a pessoa ainda mais para baixo. Às vezes sem que ela se dê conta disso.

Recentemente tivemos um exemplo emblemático desta segunda categoria: o autor de um livro de autoajuda financeira faliu, mesmo depois de vender milhões de cópias, tanto de seu título original, quanto de suas derivações oportunistas.

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dan ariely e a autoajuda

ArielyEm seu mais recente livro, A mais pura verdade sobre a desonestidade (Campus, 2012), Dan Ariely expõe o lado mentiroso de todos nós – embora nos esforcemos um bocado para ocultá-lo.

Para o autor, a desonestidade permeia nossas vidas de uma forma tão onipresente que, basicamente, nem nos damos mais conta dela. Segundo Ariely, somos pródigos em criar lorotas para nós mesmos, para justificar nossas falhas do dia-a-dia e, ainda assim, continuarmos acreditando que somos pessoas boas e honestas.

Lá pelas tantas, Ariely aborda a autoajuda “e seus primos, o excesso de confiança e o otimismo”. Para ele, o auto engano tem seus prós e contras, a saber:

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10% do cérebro = 100% falácia

Um mito sem limites
Um mito sem limites

Se você assistiu Sem Limites também deve ter ficado impressionado com a estória do fracassado escritor Eddie Morra (Bradley Cooper) que, ao tomar uma pílula quase mágica, transforma-se num mago do mercado financeiro, don juan infalível e exímio lutador, dentre outras coisas.

O filme – bacaninha, por sinal – apoia-se numa das mais difundidas falácias sobre o cérebro humano: a de que usamos apenas 10% do seu potencial.

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indo além da crítica

O autoatrapalha não veio apenas para fazer uma crítica e ir embora, deixando os corpos pelo caminho. Como já disse antes, a autoajuda até tem a sua utilidade, que é reforçar o seu desejo de conseguir algo na vida (se você não quer nada na vida, o que está fazendo aqui?).

O problema deste discurso é que ele não te leva à ação, necessariamente. Via de regra, os livros de autoajuda dizem que você tem tudo para ser um sucesso e que, para isto, basta você acreditar, pensar positivo, adorar o que vê no espelho blá, blá, blá…

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criatividade e autoajuda

Muitos autores já mostraram que uma dose de fracasso é um componente necessário à construção do sucesso – desde que você consiga aprender com seus erros, é claro.

Em Adapt, Tim Harford lembra que o erro é parte integrante do processo de tentativa e erro. Já em Mindset, Carol Dweck sugere que a forma como você lida com seus fracassos é fundamental para o crescimento pessoal e profissional.

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menor esforço, maior ilusão

Escrevi por aqui, em algum lugar, que a autoajuda baseia-se na Lei do Menor Esforço. Você jamais encontrará um título que diga que para ter sucesso no trabalho é preciso ser faixa preta em Estatística e Finanças, ou que para emagrecer deve alimentar-se como um náufrago e exercitar-se como um maratonista – nunca o contrário!

Em vez disto, os livros pregam que você será presidente da empresa assistindo Chaves e ficará fininho comendo como o Seu Barriga. Bom, se isto não for o suficiente para você desistir destas teorias, deixe-me tentar um pouco mais.

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o que é autoatrapalha?

O autoatrapalha foi uma ideia que surgiu no meu outro blog, o Não Posso Evitar…, numa das minhas inúmeras críticas à autoajuda.

A autoajuda é uma doutrina que prega que o nosso destino está em nossas mãos, que o sucesso é uma questão de vontade, que a felicidade reside em você mesmo.

Não discuto nada disso, porque realmente acredito que somos os atores principais de nossas histórias individuais. Enquanto enredo, a autoajuda está perfeita. O problema, meus caros, está nos atores. Em mim e em você.

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o golfinho benevolente

golfinho bonzinho?
golfinho bonzinho?

Volta e meia aparece na mídia a comovente história do náufrago, salvo da morte por um golfinho que o ajudou a nadar até uma praia próxima. A narração do episódio, sempre enfeitada por emocionados depoimentos dos sobreviventes, reforça a crença de que o golfinho é um animal amigo e bonzinho.

Mas será que é mesmo? Será que não existem golfinhos maus, que afogam os náufragos só por diversão?

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