As “Leis” da autoajuda

LeisAutores de autoajuda são pródigos em criar “Leis”. São as 7 Leis da Felicidade, as 21 Leis do Universo, as 417 Leis da Vida Serena, as 36.894 Leis da Mandala ou as 644.781 Leis da Água Borbulhante.

Independentemente da quantidade de artigos, cada charlatão vende sua própria contagem de regras, tão vazias quanto incoerentes.

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demagogia corporativa

DemagogiaImagine que você está indo fazer uma entrevista de emprego em uma grande empresa e, ao passar pela recepção, depara-se com uma pessoa em um terno impecável, varrendo o chão com aquele belíssimo esfregão amarelo e um balde com desinfetante.

Curioso com a cena, você pergunta ao entrevistador quem era aquele senhor.

– É o nosso CEO, responde ele. Ele acredita que liderar é por a mão na massa.

Esta é a essência do quê está retratado na imagem ao lado. E se você continua achando que trabalhar nesta empresa pode ser uma boa ideia, é bom você repensar quais são os valores ilustrados pela cena.

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dívidas e autoestima

DívidasPeço desculpas antecipadas pela esdrúxula escolha da foto ao lado, mas ela ilustra a matéria que será comentada a seguir e, de certa forma, já antecipa a trapalhada que está por vir.

A pisada na bola vem da Superinteressante, mais precisamente do artigo Dívidas aumentam a autoestima. Um título destes num país que vive uma desenfreada farra de crédito é, no mínimo, irresponsável. Além, é claro, do fato de estar bastante equivocado.

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a falácia da validação pessoal

- Eu sou aquele ali, olha.
– Eu sou aquele ali, olha.

Você está numa sala de aula participando de um projeto sobre ferramentas de avaliação de personalidade. Acabou de preencher um questionário, avaliando até que ponto concorda com frases do tipo: “você tem necessidade que as pessoas gostem de você e admirem-no” e “você tende a ser muito crítico consigo mesmo”.

Neste momento, recebe o resultado da avaliação que traça o seu perfil psicológico e fica particularmente satisfeito em ler coisas do tipo:

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o cisne negro

Pense nos acontecimentos que mais tiveram impacto na sua vida, que mais lhe marcaram e mudaram os rumos da sua história particular – para melhor ou para pior. Uma promoção (ou demissão) no trabalho, o fim de um relacionamento, a morte de um ente querido.

Agora tente se lembrar se você tinha algum controle sobre estes eventos. Provavelmente foram episódios repentinos e que lhe pegaram desprevenido, certo?

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10% do cérebro = 100% falácia

Um mito sem limites
Um mito sem limites

Se você assistiu Sem Limites também deve ter ficado impressionado com a estória do fracassado escritor Eddie Morra (Bradley Cooper) que, ao tomar uma pílula quase mágica, transforma-se num mago do mercado financeiro, don juan infalível e exímio lutador, dentre outras coisas.

O filme – bacaninha, por sinal – apoia-se numa das mais difundidas falácias sobre o cérebro humano: a de que usamos apenas 10% do seu potencial.

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autoajuda e superstição

Durante competições esportivas é comum vermos atletas, até os de ponta, entregarem-se a superstições, simpatias, mandingas e toda sorte de artifícios que possam trazer-lhes alguma vantagem. Ora é a chuteira abençoada, outra o amuleto escondido.

Até nas arquibancadas – ou principalmente nelas – as crenças se repetem com a camisa do time que nunca é lavada, a cueca abençoada ou o amigo pé-frio sempre enxotado.

O que todos convenientemente esquecem, atletas e torcedores, é que a chuteira da sorte também chuta pênalti para fora, o amuleto já perdeu jogo, a camisa fedida já amargou derrotas (assim como a cueca) e o pé-frio já comemorou vitórias.

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tudo dá certo no final?

Uma das frases mais repetidas nos manuais de autoajuda é:

TUDO DÁ CERTO NO FINAL. SE NÃO DEU CERTO,
É PORQUE AINDA NÃO CHEGOU NO FINAL.

A sentença representa um conselho de valor inestimável e de enorme utilidade – desde que você seja imortal.

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autoajuda corporativa

Recentemente a moda da autoajuda vem migrando da esfera pessoal – onde cada um é responsável por seus atos – para escritórios, salas de reunião e sessões de treinamento corporativo.

Empresas começam, agora, a embarcar na onda da autoajuda corporativa – não importam seus tamanhos, nacionalidades ou ramo de atividade.

A principal porta de entrada deste modismo tem sido, até então, os ditos treinamentos motivacionais. São palestras ministradas, geralmente, por alguma celebridade da moda, tratando de capitalizar uma fama tão súbita quanto efêmera.

Pouco entendem sobre vendas, balanços, marketing, planejamento estratégico ou cadeia de suprimentos. Normalmente sua especialidade é nadar, correr, plantar bananeira ou, ainda, treinar alguém para fazer isso.

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autoestima e realidade

Livros de autoajuda vendem aos milhões, ao passo que casos de sucesso* são bem menos frequentes. Este simples descasamento já representa, por si só, um indício de que há algo errado nesta história.

Por que você dá ouvidos a uma fórmula que, visivelmente, não funciona? Afinal de contas, se todos os seus amigos já leram esses livros – e ninguém mudou de vida por causa disso – por que você acha que logo com você será diferente?

Uma das explicações é que temos a tendência de nos avaliar sob uma lente mais positiva do que a realidade aconselharia. Nossa autoestima sugere que somos mais espertos, mais bonitos e mais habilidosos.

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