As “Leis” da autoajuda

LeisAutores de autoajuda são pródigos em criar “Leis”. São as 7 Leis da Felicidade, as 21 Leis do Universo, as 417 Leis da Vida Serena, as 36.894 Leis da Mandala ou as 644.781 Leis da Água Borbulhante.

Independentemente da quantidade de artigos, cada charlatão vende sua própria contagem de regras, tão vazias quanto incoerentes.

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Pai rico, Pai pobre, Pai caloteiro

Caráter não é opcional
Caráter não é opcional

Sempre fiz questão de reconhecer aqui que alguns livros de autoajuda podem ter certa utilidade. Seja por um ou outro conselho valioso, ou mesmo por dar uma injeção de ânimo em alguma alma combalida.

Mas há outros que têm efeito contrário, isto é, empurram a pessoa ainda mais para baixo. Às vezes sem que ela se dê conta disso.

Recentemente tivemos um exemplo emblemático desta segunda categoria: o autor de um livro de autoajuda financeira faliu, mesmo depois de vender milhões de cópias, tanto de seu título original, quanto de suas derivações oportunistas.

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pé quente*

Costumo insistir que muito do que se fala e escreve sobre autoajuda é completamente inútil, não serve para nada. Mas nem tudo. Algumas coisas, além de não trazerem benefícios, ainda causam sérios prejuízos.

Um dos motivos é o fato de você achar que a sua vida vai melhorar só por ter lido um livreco cheio de frases de efeito. Você fica esperando seus problemas se resolverem sozinhos – porque, segundo a autoajuda, basta acreditar – e eles só pioram.

Mas há algumas dicas que ajudam. Ajudam a piorar o cenário bem mais rápido. Veja o caso dos participantes de um seminário de Tony Robbins, no mês passado, em San Jose, Califórnia. Eles chegaram ao evento acompanhados de seus problemas e, horas depois, saíram com queimaduras de segundo e terceiro graus. Além dos problemas que já tinham.

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direto do twitter

Todos já percebemos que as redes sociais estão inundadas pela praga da autoajuda. Citamos alguns exemplos do Facebook no último texto e, agora, vejamos o que o Twitter tem a nos eferecer de ruim.

A única vantagem do Twitter em relação ao Facebook é que é mais difícil postar aquelas imagens deprimentes que, via de regra, acompanham os preciosos ensinamentos – isso requer uma habilidade fora do alcance de quem posta frases no Twitter. Além disso, há a limitação dos 140 caracteres, algo realmente instransponível para o QI médio do autor de autoajuda.

Então, para ser justo, também limitarei meus comentários a 140 caracteres e não adicionarei imagem alguma.

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regressão à média

Uma das minhas grandes críticas à autoajuda é o fato de os livros fazerem elogios desmedidos ao leitor, sem que o autor jamais tenha visto quem é que compra o livro. Embora estes elogios sejam vazios e desprovidos de qualquer significado, há alguns argumentos em defesa desta prática.

Um deles diz respeito à sua capacidade de motivar as pessoas e fazer com que elas busquem seus objetivos com maior afinco. O tema já foi exaustivamente estudado em alguns dos mais importantes Experimentos em Psicologia* já realizados.

Skinner, por exemplo, explora o reforço positivo (elogios e recompensas) no condicionamento do comportamento.

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autoestima e realidade

Livros de autoajuda vendem aos milhões, ao passo que casos de sucesso* são bem menos frequentes. Este simples descasamento já representa, por si só, um indício de que há algo errado nesta história.

Por que você dá ouvidos a uma fórmula que, visivelmente, não funciona? Afinal de contas, se todos os seus amigos já leram esses livros – e ninguém mudou de vida por causa disso – por que você acha que logo com você será diferente?

Uma das explicações é que temos a tendência de nos avaliar sob uma lente mais positiva do que a realidade aconselharia. Nossa autoestima sugere que somos mais espertos, mais bonitos e mais habilidosos.

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menor esforço, maior ilusão

Escrevi por aqui, em algum lugar, que a autoajuda baseia-se na Lei do Menor Esforço. Você jamais encontrará um título que diga que para ter sucesso no trabalho é preciso ser faixa preta em Estatística e Finanças, ou que para emagrecer deve alimentar-se como um náufrago e exercitar-se como um maratonista – nunca o contrário!

Em vez disto, os livros pregam que você será presidente da empresa assistindo Chaves e ficará fininho comendo como o Seu Barriga. Bom, se isto não for o suficiente para você desistir destas teorias, deixe-me tentar um pouco mais.

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