Pai rico, Pai pobre, Pai caloteiro

Caráter não é opcional
Caráter não é opcional

Sempre fiz questão de reconhecer aqui que alguns livros de autoajuda podem ter certa utilidade. Seja por um ou outro conselho valioso, ou mesmo por dar uma injeção de ânimo em alguma alma combalida.

Mas há outros que têm efeito contrário, isto é, empurram a pessoa ainda mais para baixo. Às vezes sem que ela se dê conta disso.

Recentemente tivemos um exemplo emblemático desta segunda categoria: o autor de um livro de autoajuda financeira faliu, mesmo depois de vender milhões de cópias, tanto de seu título original, quanto de suas derivações oportunistas.


O autor da façanha é Robert Kiyosaki, dono da franquia Pai Rico, Pai Pobre e outras criativas combinações que ensinam, entre outras coisas, a negociar informações privilegiadas e comprar a descoberto.

Do óbvio ao ilegal, as dicas agora são ilustradas pela vida real do mentor dos despossuídos. No início de sua carreira, Kiyosaki era assessorado pela Learning Annex, que agenciava suas palestras e imagem. Em agosto deste ano ele foi condenado pela justiça americana a pagar US$ 24 milhões de indenização a seu ex-parceiro, à título de comissões não repassadas.

A bem da verdade, Kiyosaki não faliu na pessoa física, mas na jurídica. Sua empresa deu o calote na praça, mas sua fortuna estimada em US$ 80 milhões não está em risco. Um simbólico canto de cisne para um ex-guru das finanças. Madoff, enciumado, aplaude.

10 pensamentos em “Pai rico, Pai pobre, Pai caloteiro”

  1. A gente já recebeu umas broncas no blog por ter falado mal do livro dele! 😉 Mas né… mesmo depois disso tudo ainda idolatram o cara. Vai entender o adorável ser humando.

  2. Caríssimo Rodolfo, conheci esse Blog hoje (16/01) e não parei de ler até terminar o último post. A abordagem vem ao encontro das minhas críticas ao tema e me remete à várias nuances as quais nem me detivera até então. Ponto para o autor. Através de um link cheguei ao ótimo texto de Adriano Faciolli, sobre “O segredo”. Excelente leitura, também. Por outro giro, gostaria de apresentar um “case” para reflexão: quer me parecer que existe um algo relevante no sucesso de livros de auto ajuda, a partir de uma mídia que perpetua a idéia de sucesso sem esforço. Observem os filmes americanos que são consumidos à exaustão nos mesmos países em que a autoajuda faz sucesso. Em sua maioria, os pobres fracassados do início se tornam, após dois ou três meses de preparação, em máquinas vencedoras, colocando em seu devido lugar os experts que se prepararam a vida toda para estar onde estavam. É uma pílula mágica, um guru, um golpe de sorte, uma informação privilegiada… e uma vida de sofrimento – zás – transforma-se em riqueza, beleza, status, tudo sem suor ou trabalho. Crescendo sob a influencia maciça dessa mídia, seria de se admirar tanto sucesso dos livros que prometem transformar a sua história em uma história de filme? Abraços.

  3. Olá Francisco, obrigado pelo seu comentário!
    De fato, os filmes são grandes auxiliares na construção desta falácia de sucesso que a autoajuda vende. Um bom exemplo é “À procura da felicidade”, com o Will Smith.
    O que as pessoas se esquecem é que este é um caso que deu certo, no meio de milhões que deram errado. E o que funciona para uma pessoa, pode não funcionar para todo mundo. Só que Hollywood não faz filmes sobre fracassados, como deixei claro no texto sobre o Golfinho Benevolente (http://www.autoatrapalha.com.br/2012/04/o-golfinho-benevolente.html).
    Um abraço, Rodolfo.

  4. pai rico de cú é rola! japonês falsário do caralho! no livro ele diz que o pai verdadeiro (pobre) dele era um sindicalista… só pode estar de gozação, né? alguém já viu japones sindicalista? vai se fuder… já vi japones tintureiro, pasteleiro, auto-eletrico, engenheiro, fotografo mas sindicalista é demais… uma merda este livro. não recomendo.

  5. pelo linguagem desse tal de alberto da pra notar que nivel de pessoa que ele e nao estou defendendo ninguem, so acho que ele devia ter mas um pouco postura pra creticar alguem.

  6. Respeito profundamente a posição do autor do blog, mas discordo dela. A falência da empresa do Sr. Kyosaki nao retira a validade da tese esposada no livro de sua autoria, cuja lição se resume a comprar ativos ao invés de gastar dinheiro com bens de consumo que endividam e levam a uma prisão financeira.
    Nao entro no mérito da questão do calote – calote “legal”, diga-se de passagem, ja que a falência esta prevista em lei e é admitida pelo ordenamento norte americano -, mas o fato é que nao podemos confundir alhos om bugalhos. Se eticamente o comportamento do Sr. Kyosaki pode ser visto co questionável, isso nao significa que sua teoria financeira não tenha valor.
    Recomendo que quem se dispõe a criticar primeiro leia o livro.

  7. Li alguns artigos do blog e comentários. Tenho minha opinião sobre o que chama de livro de autoajuda. Existem livros bons e ruins, complexos e básicos, gerais e específicos. Seria um livro de colorir e cobrir um livro ruim? Seria um livro que fale de verbo to be ruim? Um livro é escrito para um público alvo, e não para um leitor específico. Existem excelentes livros no mercado, embora concorde que muitos são superficiais.
    Em tese, todo livro é de autoajuda. Quem o lê busca ajuda em algum tipo de conhecimento.
    Acho que a generalização pejorativa que o blog traz um desserviço e explico porque.
    Na minha opinião, o blog trata o assunto sem profundidade, com argumentos insuficientes e sem base.
    Os pensamentos não são fundamentados, não há fontes, autores, pensadores. Nada.
    O que vi nos artigos que li aqui parece mais algum tipo de trauma por algo que aconteceu no passado.
    Deduzo isso pelo tom do discurso.
    Creio que uma discussão séria exige fundamentação e contraposição de ideias.
    Pelo próprio título do blog e de alguns artigos, bem como pela sessão desabafe ficou muito tudo estranho.
    Mais ainda por haver propaganda para receber dinheiro por cliques.
    Notadamente, o fato de não haver opiniões contrárias nos comentários e pelas datas, me leva a cogitar que nem este post será liberado.
    Chamar um empresário que quebra, após ter conquistada uma fortuna de milhões, de caloteiro ou querer colocá-lo como fracassado demonstra a inexperiência no mundo dos negócios, além de falta de ética e respeito.
    O lucro está no risco, não na estabilidade. Empreender é risco. O erro não denigre o empreendedor.
    Faz parte do processo de crescimento honroso.
    Existem realmente algumas pessoas que acreditam que todos os livros de autoajuda não as acrescentam em nada, pois eles não têm nada que elas não já saibam há tempos. Isto talvez seja decorrente da quantidade de conteúdos superficiais que existam disponíveis sobre o assunto.
    Outros argumentam uma onisciência sobre si de que não precisam se autoconhecer mais em nada, seja através de livros, programas de coaching ou terapias de qualquer espécie.
    Medo do Autoconhecimento = Medo de si mesmo
    Creio que, comumente, o preconceito por livros de autoajuda ou por de autoconhecimento se forma quando há um conteúdo mais simples, já conhecido e não adequado para a necessidade específica daquela pessoa. O que é normal, pois ele não foi feito exclusivamente para ela, e sim para um determinado público-alvo com um rol de necessidades comuns.
    Aquele conteúdo só lhe parecerá útil se houver algo de novo para ela (um aprendizado, um percepção, uma sensação, uma ideia) ou tenha pelo menos a função de revisão ou motivação. Se não há nada disto, ela simplesmente não é o público-alvo do livro. E nem por isso o livro é inútil, senão muitos livros infantis lhe pareceriam inúteis por conter coisas que ela já sabe. Apenas ela não pertence ao público-alvo do livro.
    Logicamente, não me refiro a conteúdos medianos, fracos, ruins ou mesmo errados. Falo do discernimento de reconhecer quando um conteúdo é bem feito e útil para um tipo de público, porém não adequado para aquele leitor específico. Seriam todas as postagem de apenas até 140 caracteres no Twitter sempre inúteis e superficiais por serem curtas? Claro que não. Generalizações são traiçoeiras, e podem facilmente criar crenças limitantes e dificuldade de acesso a oportunidades.
    Esta crença sobre livros de autoconhecimento é uma crença limitante, que barra ricas descobertas, insights e reflexões. O autoconhecimento é uma das estratégias que geram mais resultados na vida pessoal, financeira e profissional, simplesmente porque é capaz de transformar o homem em conhecedor de si mesmo, melhorando sua produtividade, seus relacionamentos e seus resultados, ecoando em múltiplas direções.
    Para mudar isto, basta aceitar examinar e escolher criteriosamente os livros sobre autoconhecimento, sem preconceitos, e saber diferenciar um conteúdo útil e adequado de outro útil porém inadequado para você.
    Sugiro que sejam honestos consigo mesmo e continuem buscando se encontrar, mesmo que doa, ou que o medo de outros o desanimem.
    Livros que tratam mais profundamente de assuntos na qual a pessoa precise melhorar o nível de Autoconhecimento são muito úteis para o desempenho na vida pessoal, financeira e profissional.
    Gastei meu tempo escrevendo este comentário por achar injusto com as pessoas que precisam do autoconhecimento para se encontrarem, pois somente assim respeitarão o outro, a coletividade, a natureza e se conectarão espiritualmente com o todo.
    Deixo ainda um link de um pesquisa séria e completa sobre o assunto aos leitores do blog.
    http://www.ateliedepesquisa.com.br/wp-content/uploads/2014/04/resultados_auto_ajuda.pdf
    Ao dono do blog, deixo o pedido que retire o blog do ar, pois do jeito que está faz mais mal que ajuda as pessoas.
    Desculpe, qualquer palavra mais dura, mas crescemos no contraditório e não com os que pensam iguais a nós.
    Abraço a todos.

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