As “Leis” da autoajuda

LeisAutores de autoajuda são pródigos em criar “Leis”. São as 7 Leis da Felicidade, as 21 Leis do Universo, as 417 Leis da Vida Serena, as 36.894 Leis da Mandala ou as 644.781 Leis da Água Borbulhante.

Independentemente da quantidade de artigos, cada charlatão vende sua própria contagem de regras, tão vazias quanto incoerentes.

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demagogia corporativa

DemagogiaImagine que você está indo fazer uma entrevista de emprego em uma grande empresa e, ao passar pela recepção, depara-se com uma pessoa em um terno impecável, varrendo o chão com aquele belíssimo esfregão amarelo e um balde com desinfetante.

Curioso com a cena, você pergunta ao entrevistador quem era aquele senhor.

– É o nosso CEO, responde ele. Ele acredita que liderar é por a mão na massa.

Esta é a essência do quê está retratado na imagem ao lado. E se você continua achando que trabalhar nesta empresa pode ser uma boa ideia, é bom você repensar quais são os valores ilustrados pela cena.

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o queridinho dos atendentes

- Liga pra mim, seu lindo!
– Liga pra mim, seu lindo!

Chega a ser lugar-comum nas conversas as queixas contra as centrais de teleatendimento. Seja de operadoras de telefonia celular ou de tv a cabo, quase todo mundo tem uma reclamação sobre o nível do serviço que recebem. Talvez eu seja uma exceção a esta desagradável regra.

Como bem descreve Dan Ariely em Positivamente Irracional, a saga funciona como um ciclo vicioso: uma pessoa descontente com o atendimento trata o operador com grosseria; este, ficando irritado, passa o mau humor ao próximo cliente, que também se sentirá contrariado e será estúpido em seu próximo contato – e assim por diante.

Inexplicavelmente (ou não), o oposto acontece comigo: costumo ser muito bem atendido e ter (quase) sempre os meus problemas solucionados. Não por milagre, isto parece ter mudado depois que li o livro mencionado acima e entender a dinâmica descrita.

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dívidas e autoestima

DívidasPeço desculpas antecipadas pela esdrúxula escolha da foto ao lado, mas ela ilustra a matéria que será comentada a seguir e, de certa forma, já antecipa a trapalhada que está por vir.

A pisada na bola vem da Superinteressante, mais precisamente do artigo Dívidas aumentam a autoestima. Um título destes num país que vive uma desenfreada farra de crédito é, no mínimo, irresponsável. Além, é claro, do fato de estar bastante equivocado.

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Pai rico, Pai pobre, Pai caloteiro

Caráter não é opcional
Caráter não é opcional

Sempre fiz questão de reconhecer aqui que alguns livros de autoajuda podem ter certa utilidade. Seja por um ou outro conselho valioso, ou mesmo por dar uma injeção de ânimo em alguma alma combalida.

Mas há outros que têm efeito contrário, isto é, empurram a pessoa ainda mais para baixo. Às vezes sem que ela se dê conta disso.

Recentemente tivemos um exemplo emblemático desta segunda categoria: o autor de um livro de autoajuda financeira faliu, mesmo depois de vender milhões de cópias, tanto de seu título original, quanto de suas derivações oportunistas.

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murphy e a autoajuda

Puxa, ele morreu. Que azar...
Puxa, ele morreu. Que azar…

“Se algo pode dar errado, dará”, diz a fatalista Lei de Murphy. A sentença, normalmente proferida depois de um revés, esconde duas outras lições que teimamos em não aprender:

“Se algo não pode dar errado, não dará”. Embora óbvia, a frase lembra que para alguma coisa dar errada é preciso que suas causas estejam a postos, na hora certa. Se não estiverem, tudo correrá bem.

E por qual destas causas – que resultaram no problema – você é diretamente responsável? Qual delas aconteceu por falha sua, ou mesmo negligência? Ora, melhor botar a culpa no Murphy, não é?

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dan ariely e a autoajuda

ArielyEm seu mais recente livro, A mais pura verdade sobre a desonestidade (Campus, 2012), Dan Ariely expõe o lado mentiroso de todos nós – embora nos esforcemos um bocado para ocultá-lo.

Para o autor, a desonestidade permeia nossas vidas de uma forma tão onipresente que, basicamente, nem nos damos mais conta dela. Segundo Ariely, somos pródigos em criar lorotas para nós mesmos, para justificar nossas falhas do dia-a-dia e, ainda assim, continuarmos acreditando que somos pessoas boas e honestas.

Lá pelas tantas, Ariely aborda a autoajuda “e seus primos, o excesso de confiança e o otimismo”. Para ele, o auto engano tem seus prós e contras, a saber:

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a falácia da validação pessoal

- Eu sou aquele ali, olha.
– Eu sou aquele ali, olha.

Você está numa sala de aula participando de um projeto sobre ferramentas de avaliação de personalidade. Acabou de preencher um questionário, avaliando até que ponto concorda com frases do tipo: “você tem necessidade que as pessoas gostem de você e admirem-no” e “você tende a ser muito crítico consigo mesmo”.

Neste momento, recebe o resultado da avaliação que traça o seu perfil psicológico e fica particularmente satisfeito em ler coisas do tipo:

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o cisne negro

Pense nos acontecimentos que mais tiveram impacto na sua vida, que mais lhe marcaram e mudaram os rumos da sua história particular – para melhor ou para pior. Uma promoção (ou demissão) no trabalho, o fim de um relacionamento, a morte de um ente querido.

Agora tente se lembrar se você tinha algum controle sobre estes eventos. Provavelmente foram episódios repentinos e que lhe pegaram desprevenido, certo?

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10% do cérebro = 100% falácia

Um mito sem limites
Um mito sem limites

Se você assistiu Sem Limites também deve ter ficado impressionado com a estória do fracassado escritor Eddie Morra (Bradley Cooper) que, ao tomar uma pílula quase mágica, transforma-se num mago do mercado financeiro, don juan infalível e exímio lutador, dentre outras coisas.

O filme – bacaninha, por sinal – apoia-se numa das mais difundidas falácias sobre o cérebro humano: a de que usamos apenas 10% do seu potencial.

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